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Sazonalidade impacta franquias, mas é possível driblar os efeitos
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Sazonalidade impacta franquias, mas é possível driblar os efeitos

Ao pensar em investir em um negócio próprio o empreendedor deve estar ciente da necessidade de analisar todo o cenário da área que pretende atuar. Ter claro o segmento de interesse, o público-alvo, o hábito de consumo do potencial cliente, o impacto dos feriados, da sazonalidade, enfim, são diversas peculiaridades que devem ser previamente estudadas.

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Hoje, tanto no setor de comércio quanto o de serviços, a sazonalidade impacta de forma significa a operação, o que fomenta a necessidade de ações bem planejadas para que essa periodicidade não impacte o faturamento da operação. No franchising o mesmo ocorre, sendo que nenhum nicho está imune aos reflexos da sazonalidade, seja ela devido a fatores climáticos, seja pelo menor aquecimento da economia. Segundo Ana Vecchi, CEO da Ana Vecchi Business Consulting, cada segmento dentro do franchising tem algum reflexo da sazonalidade, logo, estar preparado nestes momentos é de extrema importância.

“Boa parte das franquias que atuam com alimentação, vestuário e educação enfrentam a sazonalidade. As redes de educação têm o período de matricula, isso no começo do ano e no meio do ano. Com isso, elas devem estar preparadas nestes momentos para vender o maior número de cursos ou matriculas, pois nos outros meses não haverá essa oportunidade, em especial as que atuam com cursos na área de informática e de idiomas”, disse Ana.

Cuidado com o mix

A especialista em franquias explicou que no caso do varejo de vestuário e calçados, as questões climáticas são mais latentes, sendo necessárias estratégias bem pensadas e em conjunto entre a franqueadora e ao franqueado. “Hoje as lojas de vestuário e calçados estão com suas vitrines com itens de outono e inverno, mas até pouco tempo atrás ainda estava calor. Isso faz com que estratégia de compra, venda e de liquidação desses itens seja bem planejada, minimizando possíveis perdas e equilibrando o orçamento”, enfatizou ela.

Citando exemplo de boas práticas para encarar a sazonalidade, Ana Vecchi enfatiza o entendimento das condições climáticas de cada região, ao mencionar estratégias para as redes que atuam com moda, por exemplo. “No Sul e Sudeste, o frio pede por mix de produtos de inverno como as botas e os casacos. Já redes que operam no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste, esse mix deve ser diferenciado, uma vez que são regiões de clima quente e pouco afetadas pelo inverno. Não adianta colocar um bota de cano alto e revestida por dentro a venda em uma loja no Nordeste que ela não irá vender”, explicou.

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Alimentação varia

A especialista listou ainda outros setores que sentem os efeitos da sazonalidade. O de alimentação, com destaque as redes que atuam com alimentação saudável, são impactados com a sazonalidade da produção dos insumos. “Em épocas de calor o acesso a verduras e folhagens é mais fácil e esses produtos tem maior venda. Quando chega o inverno a rede deve se preparar para venda de sopas e caldos”, disse Ana.

Paulo Yossimi, CEO da Nhô Sorvetes.Credito Cleber Davidson

As sorveterias e gelaterias são afetadas durante o inverno e cabe à franqueadora e o franqueado encontrar soluções para minimizar a queda nas vendas. Em entrevista ao Universo Franchising, o CEO da Nhô Sorvetes, Paulo Yossimi, informou que a inserção de outras categorias de produtos no cardápio durante o inverno garante o bom resultado da rede que comercializa sorvetes. “Basta cair dois ou três graus a temperatura que o consumidor tira o casaco e o cachecol do armário. Isso, quando não analisado, pode impactar as vendas, mas como temos um trabalho amplo de pesquisa junto ao nosso consumidor conseguimos minimizar”, disse.

O empresário explicou que nos dias mais frios foi percebida a boa aceitação do Petit gâteau, uma sobremesa de recheio quente acompanhada de sorvete. Assim como a sobremesa já mencionada, os bolos atraem a atenção dos consumidores da rede durante os dias frios. “No Dia das Mães colocamos a venda o bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Vamos mantê-lo no cardápio e para o Dia dos Namorados, vamos inserir a venda do bolo red velvet e do bolo de churros com cobertura de calda quente”, enfatizou Yossimi.

Outro ponto destacado pelo empresário foi a constante aproximação com os consumidores, seja com a panfletagem ou com a criação de estratégias de fidelização no ponto de venda. “Fazemos promoções nos pontos de venda com produtos vendidos com desconto, damos a opção do vale presente para eles, tudo isso para fidelizar o consumidor”, disse ele.

Foi mencionado ainda que as estratégias de ampliação de vendas em períodos que a temperatura é mais amena – o carro chefe da rede são as casquinhas – são pensadas em conjunto aos franqueados, uma vez que eles estão à frente do negócio e tem uma melhor percepção do hábito de consumo do consumidor. “Eles têm a liberdade de indicar soluções para manter o fluxo de caixa das unidades”.

A rede tem como meta ter 100 contratos fechados até o final do ano, sendo que desse número, ter 70 unidades em operação.  Para isso a Nhô Sorvetes aposta em estratégias de marketing e busca ampliar a atuação, que hoje é de seis estados brasileiros.

Mais estratégias

CEO da rede de gelatos Freddissimo, Adriano Lopes de Oliveira

A sazonalidade, que poderia resultar em queda de até 30% nas vendas, é reduzida para menos da metade com a inserção de produtos de calda quente, conforme explicou ao Universo Frachising, o CEO da rede de gelatos Freddissimo, Adriano Lopes de Oliveira. O executivo explicou que, por se tratar de uma operação de venda de gelatos, produtos diferente dos convencionais sorvetes, a queda da venda é facilmente minimizada.

“Trabalhamos com uma categoria diferenciada de sobremesa, e assim como na Europa e em países vizinhos, como a Argentina, aos poucos temos conseguido mostrar ao consumidor a diferença entre os produtos, tornando o consumo de gelato algo rotineiro ao consumidor seja no verão ou no inverno”, disse ele.

A inserção de produtos com caldas quentes e do Petit gâteau – que caiu no gosto do brasileiro – ajuda nessa construção cultural do hábito de consumir gelatos e  minimiza de forma evidente a sazonalidade. “Isso é um trabalho que tem sido realizado em todas as marcas que trabalham com o gelato. Isso ajuda a ampliar as vendas em qualquer período do ano, tanto que já vemos a crescente procura dos consumidores pelo produto quando estão passeando pelo shopping”, enfatizou Oliveira.

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Por Flávia Milhassi Denone, do Universo Franchising.

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